O placar foi de 398 votos a favor e 30 contra para a urgência. Ainda não há data para o texto ser analisado.

Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados
Imagem: Ton Molina – 28.set.25/FotoArena/Estadão

O que aconteceu
A Câmara dos Deputados aprovou o pedido de urgência do projeto que cria a bancada cristã. O projeto tem apoio do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e dá espaço no colégio de líderes, que decide o que se vota na Câmara.

Tema foi acelerado por Motta. O presidente da Câmara disse que colocaria o requerimento em votação após participar de culto ecumênico na Câmara hoje.

Trata-se do Projeto de Resolução 71/25, que cria a bancada cristã da Câmara. apresentado pelos presidentes das frentes parlamentares evangélica e católica, respectivamente os deputados Gilberto Nascimento (PSD-SP) e Luiz Gastão (PSD-CE).

O pedido de urgência foi aprovado com 398 votos favoráveis e 30 contrários. Os projetos com urgência podem ser votados diretamente no Plenário, sem passar antes pelas comissões da Câmara.

Segundo a proposta, a bancada será constituída por uma coordenação-geral e três vices-coordenadorias. A bancada poderá ter direito a voz e voto nas reuniões de líderes partidários. Além disso, o órgão poderá usar a palavra por 5 minutos semanalmente em Plenário.

O deputado Luiz Gastão defendeu a criação da bancada pelo fato de mais de 80% da população brasileira ser cristã. “A Constituição nos garante liberdade da manifestação da fé de todas as formas”, disse.

Luiz Gastão, coordenador da Frente Parlamentar Católica

Estado laico

Base governista teve posicionamento contrário à urgência. Parlamentares comunistas se manifestaram duramente contrários, em especial a bancada do PSOL.
A líder do Psol, deputada Talíria Petrone (RJ), criticou o projeto por estabelecer “uma relação de aliança e preferência de natureza religiosa dentro da estrutura do Legislativo federal, o que é proibido pelo princípio da laicidade”. Eu respeito a fé cristã. Mas vamos ter a bancada da matriz africana? A bancada de todas as religiões? Do budismo? Temática dos direitos humanos? Do agronegócio? Não pode. Não é só inconstitucional, como também já temos as frentes parlamentares para isso”, “O espaço político não pode privilegiar com voz e voto no Colégio de Líderes uma fé professada”, afirmou.

De acordo com ela, as bancadas negra e feminina só existem por conta da desigualdade histórica de gênero e raça na representação do Congresso. “É papel, também previsto na Constituição, garantir igualdade entre homens e mulheres, também por políticas afirmativas, para corrigir a desigualdade histórica, que não tem a ver com religião”, declarou.

Gilberto Nascimento PSD, líder da bancada evangélica

Já o deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) afirmou que a crítica por criar a bancada cristã é pela possibilidade de o movimento conservador se organizar na Câmara. “Esse é o desespero: com a bancada cristã, o movimento conservador ganha força neste Plenário. Isso eles não querem”, disse.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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